Criação
Torceu o tempo
de maneira tão
perfeita
Que o espaço
se acubicou
humildemente
Pegou no vórtice
com a sua mão
direita
E com a outra
tirou a Terra
sorridente
| Jamor Pastora |
| Pensamentos, Crónicas, Contos e Poesias de um virar de século… |
Torceu o tempo
de maneira tão
perfeita
Que o espaço
se acubicou
humildemente
Pegou no vórtice
com a sua mão
direita
E com a outra
tirou a Terra
sorridente
O passado, foi; não existe; não é !
Chamamos passado à possibilidade que temos de repescar acontecimentos irremediavelmente finitos e acabados.
O futuro, será; não existe; não é !
Chamamos futuro à nossa capacidade de antever acontecimentos possíveis, parte do universo das possibilidades.
O presente, também não existe; mas é !
O presente, é uma deambulação constante entre recordações e esperanças.
É um saltitar intermitente entre a nostalgia e o sonho.
Ouvimos constantemente falar em “tempo presente”, “realidade concreta”, “pensar a vida”.
Suponho, no entanto, que somos virtualmente conduzidos por esses dois portentos que são a Memória e a Imaginação.
Desde o primeiro choro, até ao último suspiro…
Gostava que o sonho fosse um bólide vermelho
Que aumentasse a velocidade deste corpo estático
E esta cor juvenil, do meu coração velho
Desse mais sonoridade ao pensamento errático
Voava para tão longe deste tempo infindo
Onde a quimera utópica fosse realidade
Que, nem a dor, nem a solidão, que vou sentindo
Pudessem estar em mim como sendo uma asseidade
E se acordasse alhures, adentro do meu nada
Num sítio inexistente, ou irreal e medonho
Onde só vislumbrasse além da curva da estrada
Pegava neste soneto que agora componho
Dava com ele dez mil voltas de uma só guinada
E girava novamente em direcção ao sonho
Por amor, ou por cansaço
Já não sei o que escrevo, ou faço
Ela fez um aninhar intenso
Entre mim e o que eu penso
Ouço ao longe, aqui tão perto
Um suspiro de alívio incerto
Não sei, do amanhã, os passes
Give me my glasses
Eu dou gargalhadas, canto, e também danço,
Se a hora não me chama pr’o remanso.
Eu suspiro, e entristeço, e paro, e choro
Quando são fortes os males que deploro.
Nunca preciso, nem quero vir a ter,
Um determinado dia pr’o fazer…