Criação

Poesia | Sem Comentários »

Torceu o tempo

de maneira tão

perfeita

Que o espaço

se acubicou

humildemente

Pegou no vórtice

com a sua mão

direita

E com a outra

tirou a Terra

sorridente


Passado, Presente e Futuro

Pensamento | Sem Comentários »

O passado, foi; não existe; não é !
Chamamos passado à possibilidade que temos de repescar acontecimentos irremediavelmente finitos e acabados.

O futuro, será; não existe; não é !
Chamamos futuro à nossa capacidade de antever acontecimentos possíveis, parte do universo das possibilidades.

O presente, também não existe; mas é !
O presente, é uma deambulação constante entre recordações e esperanças.
É um saltitar intermitente entre a nostalgia e o sonho.

Ouvimos constantemente falar em “tempo presente”, “realidade concreta”, “pensar a vida”.
Suponho, no entanto, que somos virtualmente conduzidos por esses dois portentos que são a Memória e a Imaginação.

Desde o primeiro choro, até ao último suspiro…


Poema Interseccionista

Poesia | Sem Comentários »

Gostava que o sonho fosse um bólide vermelho
Que aumentasse a velocidade deste corpo estático
E esta cor juvenil, do meu coração velho
Desse mais sonoridade ao pensamento errático

Voava para tão longe deste tempo infindo
Onde a quimera utópica fosse realidade
Que, nem a dor, nem a solidão, que vou sentindo
Pudessem estar em mim como sendo uma asseidade

E se acordasse alhures, adentro do meu nada
Num sítio inexistente, ou irreal e medonho
Onde só vislumbrasse além da curva da estrada

Pegava neste soneto que agora componho
Dava com ele dez mil voltas de uma só guinada
E girava novamente em direcção ao sonho


Aninhar

Poesia | Sem Comentários »

Por amor, ou por cansaço
Já não sei o que escrevo, ou faço

Ela fez um aninhar intenso
Entre mim e o que eu penso

Ouço ao longe, aqui tão perto
Um suspiro de alívio incerto

Não sei, do amanhã, os passes
Give me my glasses


Carnaval

Poesia | Sem Comentários »

Eu dou gargalhadas, canto, e também danço,
Se a hora não me chama pr’o remanso.

Eu suspiro, e entristeço, e paro, e choro
Quando são fortes os males que deploro.

Nunca preciso, nem quero vir a ter,
Um determinado dia pr’o fazer…


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